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Relato de Parto Patricia e Luis Norio




O dia P

Nove da manhã, 31 de outubro de 2012. Aniversário do meu pai, que torceu desde que soube da minha gravidez para que o neto nascesse em seu dia. A DPP (data provável do parto) era 29/10, e para todos eu falava em "início de novembro". Sabia intimamente que Luís Norio nasceria em novembro.

Mas ainda estávamos em outubro. Às nove da manhã, levantei para ir ao banheiro – seguindo os conselhos das mães experientes, aproveitei o máximo que pude para dormir, ou pelo menos descansar até mais tarde, mesmo com as frequentes idas ao banheiro durante as madrugadas. Esses despertares por conta da bexiga cheia, dizia sempre, era um ensaio para as noites insones da maternagem... mas a simulação é apenas uma mímese distante da realidade....

Digressões à parte, fui ao banheiro e vi um muco de consistência semelhante ao da ovulação, só que avermelhado. Era o tampão que caía. Não dei muita atenção por saber que podiam passar-se dias até o trabalho de parto engrenar. Porém, não queria que fossem muitos dias, pois temia a quadragésima-primeira semana de gravidez e a possibilidade de indução do parto. Avisei o marido, que evidentemente ficou feliz, e perguntou:

– Será puxa-saco do avô, pra nascer no dia dele?
–Sei não, vamos ver.

Mandei um torpedo para a doula e professora de Yoga, Kátia Barga, e para a obstetra, Andrea Campos, já perguntando se podia ir pra piscina com tampão caído (e ela disse que sim, eba!). Chico, o marido, perguntou se ficava em casa ou ia trabalhar.

–Vai trabalhar, claro! E faz hora extra porque depois vamos precisar das suas folgas.Qualquer coisa eu te aviso.

Desde as quatro da manhã, as contrações estavam tranquilas e espaçadas em intervalos variando entre vinte e dez minutos, talqualmente as Braxton-Hicks (contrações de ensaio) das últimas duas semanas. Durante a Mostra Internacional de Cinema, encarei duas sessões com as Braxton-Hicks a cada dez minutos, durante uma hora, depois fim. Nada que respirações profundas e, quando necessário, algumas rotações de quadril não resolvessem. Continuei tranquila naquela manhã e segui a mesma estratégia, pensando que pudessem ser Braxton-Hicks ou, se não fossem, eram pródromos muito incipientes ainda. E aquela dorzinha semelhante a cólica menstrual, só que vindo em ondas, de cima pra baixo, de frente pra trás, era perfeitamente manejável.

Um sinal típico de fase latente, o intestino solto, apareceu no meio da manhã. Não dei muita atenção. Podia ser o mix de fibras (gérmen de trigo, farelo de trigo e de aveia, farinha de linhaça) que comia no café da manhã diariamente, com iogurte e fruta, pra evitar constipação.

Na palestra sobre as fases do parto da Casa Moara (onde fiz o pré-natal e frequentei grupos de gestantes), a orientação pra fase latente era manter vida normal. Não fiquei ansiosa, não me ative a pensar se estava ou não em trabalho de parto. Podiam ser contrações de Braxton-Hicks... ou não... Seguindo a dica de um relato de parto que ouvi na Casa Moara, agendei manicure e pedicure, às 11h. Chico escolheu a cor para receber Luís Norio, um vibrante vermelho alaranjado (Garota Verão, Colorama). Não falei nada sobre as contrações pra não assustar as manicures, só que elas sabiam que estava de 40 semanas e o parto podia ser a qualquer momento. Então a pergunta foi:
–Mas pode passar esmalte vermelho no pé e na mão? Não vão tirar na maternidade?
–Não, isso é pra quem vai pra centro cirúrgico, e eu estou me preparando pro parto natural, podem mandar ver no esmalte.

Nessa hora Kátia, a doula, mandou torpedos perguntando como estava, falei que tinha ido ao salão e as contrações se mantinham suaves a cada 15 minutos. Fazendo unha pra estar bonita pra chegada do Norio?, ela escreveu fazendo graça.

Fazia um calor intenso, uns 35 graus. Almocei em casa (seguindo aquele instinto de parideira, fiz feijão pra uma semana, congelei em potinhos, e preparei uma torta de legumes). Tirei uma breve sesta e as contrações ainda naquela suavidade, a cada 10 minutos. Pensei em ir pra aula de Yoga, mas Kátia me demoveu da ideia por causa do extremo calor. Então pratiquei um pouco em casa, enfocando assoalho pélvico, fiz também a postura do lenhador, acocorando pra chamar Luís Norio ao mundo.

Quando o sol amenizou, às 16h30, desci pra piscininha do prédio. Kátia ligou no intervalo das aulas. Falei que as contrações continuavam na mesma, então estava me refrescando. Duas vizinhas do prédio também curtiam o fim da tarde com água fresca. Perguntaram de quantos meses eu estava, disse nove.
–Não parece, puxa, você engordou pouco.
–Cinco quilos.
–E é pra quando o bebê?
–Pra qualquer momento. Estou me preparando pro parto natural, aliás gostaria muito de ter parto na água, então é bom vir pra piscina porque serve de treino.

Sei lá por que, minutos depois fiquei com a piscininha só pra mim... Será que elas tiveram medo de eu parir ali mesmo?

Fato é que os movimentos na água e o relaxamento ajudou. Em pouco mais de uma hora, o intervalo de contrações baixou de 10 para 7 minutos. Tomei um banho às 18h, ainda naquela ilusão de que o banho morno amenizaria as contrações. Até ajudou a relaxar, mas não a diminuir o intervalo. Sentei na bola emprestada por Kátia e girava o quadril para aliviar as contrações. Assim que acabou a aula, ela ligou pra saber como eu estava. Disse que a piscina foi ótima pra reduzir o intervalo, mas ainda estava tudo sob controle.
–E o Chico?
–Ah, ele tá vindo, deve chegar pelas 20h.

Por volta de 19h Kátia chegou em casa (moramos muito perto, algumas centenas de metros de distância). Foi maravilhoso porque parei de contar intervalo de contrações. Em nenhum momento, contei sua duração. Esse trabalho ficou com nossa querida fada-doula e pude relaxar, focar apenas nas respirações profundas, nas vocalizações e gemidos, que se tornariam cada vez mais intensos, agudos e escandalosos.

Parecia que ainda iam se passar muitas horas, e estava pronta para isso. Sabia que primigestas podem levar 24 horas ou mais em trabalho de parto. Do jeito que estava, tudo beleza! Chico chegou, abriu um vinho pra comemorar a queda do tampão. Ele perguntou quanto tempo podia levar, ah, isso vai até amanhã. Degustou calmamente uma taça com Kátia, e eu um suco de uva. Comemos a torta de legumes enquanto Chico tomava banho. Quando ele voltou pra mesa, falei: Nossa, tou aqui mas não tou. Era uma sensação de que meu corpo estava ali na sala, eu percebia os móveis, o piano, os objetos e as pessoas ao redor (Kátia e Chico), mas minha mente, minha alma, estavam em outro lugar, observando meu corpo ali.

Nesse momento, Chico estava comendo o primeiro pedaço de torta e Kátia falou:
–Vamos juntar as coisas pra ir pra maternidade.
–Não era pra amanhã? perguntou Chico.
–Não, é melhor irmos sem pressa, mas logo.
–Dá pra comer a torta, é bom você se alimentar — falei.

Pegamos a malinha do Luís Norio (cujas roupas não foram tocadas na maternidade, pois ele ficou só nos cueiros, só usou roupa pra ir pra casa), as nossas coisas, sacos plásticos e uma toalha velha reservadas para o caso de a bolsa estourar no carro (não rompeu). Descemos pro carro da Kátia, que estava na garagem do nosso prédio. Quando interfonei na portaria, pouco antes das 19h, pra autorizar a entrada da Kátia, dizendo:
– É nossa amiga, veio ficar comigo e vai nos levar pra maternidade.

O porteiro ficou assustado:
–Como assim? Você está sozinha?
–Tudo bem, ela está vindo e o Chico chega logo.

Sabia que essa etapa, do trajeto à maternidade, poderia empacar o trabalho de parto. Então preferi não focar muito no exterior, e ficar introspectiva ao máximo possível. Seguindo a sugestão da Kátia, ajoelhei no banco olhando pro vidro traseiro do carro, mas só por cerca de 1 km. Depois preferi sentar meio de lado. Chovia, uma chuva fresca e fértil, que extraía o cheiro da terra úmida. Como em uma certa segunda-feira de prática de Yoga, que nos brindou na hora do Yoganidra (relaxamento) com uma chuva boa e prazenteira... Estava ali e não estava, alternava momentos de consciência total com outros em que parecia flutuar sobre mim mesma. Tenho a impressão de que Kátia ficou um pouco nervosa com o trânsito (não percebi congestionamento, já passava das 21h, acho que foi alguém nas proximidades do São Luiz atrapalhando o fluxo). No fim, não senti tanto o percurso geográfico. Meu percurso era outro, o da chamada "partolândia".

Chegamos no São Luiz Itaim por volta das 22h. A enfermeira obstetriz Márcia Koifmann nos aguardava e, quando viu minha expressão serena, olhou pra Kátia e nada disse, mas fez uma expressão de quem diz: Tá louca? Pra que trazer a mulher na fase latente pra maternidade? Fui pro cardiotoco (chato, mas não o fim do mundo). Estava já com 8 pra 9 cm de dilatação; Márcia não acreditou, refez o toque pra confirmar. Pela sua carinha de 'alguma coisa está incomodando', achei que você estava com uns 3 cm....

A prática de Yoga me ajudou muito a atravessar a fase ativa (dilatação de 5 a 8 cm) como se fossem pródromos, a etapa inicial do trabalho de parto. As respirações profundas aliviavam as dores, que realmente, não me pareciam tão lancinantes assim. Enfim, era o final da fase ativa, já entrando na transição para o período final, o expulsivo.

Chegamos à suíte de parto. A delivery da banheira grande não estava disponível. Tentei me ajeitar na banheira retangular, que foi útil pra aliviar as contrações, mas ali não achei posição pra parir. Chico entrou na água comigo (estava de sunga) e, apesar de ele ser um moço compacto, o espaço ficou mais apertado ainda. Em uma das contrações me mexi de um jeito desengonçado e quase quebrei a tíbia do marido! Enfim, aproveitamos o que a banheira pode proporcionar. Foi lá que Katia fez uma acupressão nos ombros maravilhosa, a Andrea tirou o rebordo do colo (Katia falou, prepare-se porque vai doer, mas vai ser bom porque depois alivia) e entrei no expulsivo.

Nessa fase fizemos quase todo o Kama Sutra do parto: de quatro, apoiada na bola sob chuveiro (Chico fez direitinho a massagem no sacro); de cócoras sustentada, segurando um lençol amarrado na maçaneta da porta do banheiro (nessa posição Luís Norio alcançou o nível zero da bacia)... Senti fome, queria algo salgado. Muito carinhoso, Chico tentou colocar uma bolacha em minha boca. Justo na hora de uma contração. Cuspi tudo na cara dele: isso é hora de dar a bolacha, no meio da contração? Como se ele tivesse maneira de saber...

Seguimos pra cama sobre a banqueta de parto, tentamos de lado, em posição ginecológica... tinha que fazer a tal força comprida, que não sabia onde era e de onde vinha. Minhas contrações eram muito curtas (mesmo no expulsivo). Por um lado, sua brevidade fez com que não parecessem tão horríveis, e por outro, aqueles efêmeros segundos demandavam foco e ativação total de
corpo-mente-emoções.

Lembro que Andrea falou algo assim: você não está fazendo a força, assim ele não vai nascer. Katia dera uma dica, ainda na banheira: fazer o jalandhara bhanda (chave de queixo: inspirar e, retendo o ar, levar o queixo ao peito). Mas chegou uma hora em que estava fazendo todos os bhandas, ativando períneo, abdome, garganta, peito, tudo. Urrava, buscando o lugar dessa força estranha, botando pra fora gritos primais. Quem vê o vídeo do parto pensa que eram dores excruciantes mas garanto que não, foi o jeito que achei de me libertar pra abrir passagem ao bebê. Os urros expressavam a minha entrega, aquilo que chamo "decorticar", deixar longe a racionalidade cartesiana, masculina (muito útil em outros momentos), e permitir que aflorem nossas capacidades de fêmea, de agir pelo fluxo das emoções, mais ligadas ao sistema límbico do cérebro. (Uau! Que papo mais neurociência!)

Depois de cerca de duas horas de expulsivo (é uma estimativa, parturientes não têm noção de espaço-tempo), Andrea falou em usar ocitocina sintética pra não prolongar o trabalho de parto, por causa de pequenos miomas no meu útero. Aquilo me soou quase como uma ameaça, mesmo que não o fosse. Uma auxiliar de enfermagem segurava um garrote e vinha em minha direção. Acocorada sobre a cama, tirei uma força de não sei onde e finalmente veio o círculo de fogo. Ardeu, gritei, senti a cabecinha de Luís Norio e seu grito, antes mesmo do corpinho sair. Na próxima contração, quase pulei pra fora da cama, e veio o corpinho do pequeno. Madrugada fértil e chuvosa, pari ao som do Concerto Italiano de Bach, às 2h17 do dia de Todos os Santos.

Seja bem-vindo ao mundo, filho. Você chegou de maneira respeitosa, sem manipulações desnecessárias, banhado apenas de amor. Que sua vida seja linda, harmoniosa, feliz e intensa como sua gestação e parto.

Relato de parto: Liz e Nathalie Yuli

Primeiramente tenho muito a agradecer a Deus pela realização desse sonho: parto natural humanizado, com diagnóstico de infertilidade, beirando 39 anos.

Não tenho palavras para agradecer o carinho de tantas pessoas que participaram de toda a nossa história e o apoio da equipe: Kátia Barga, professora de yoga para gestantes e doula, Dra. Deborah Klimke obstetra humanizada, Dra. Mari Elisia neonatologista humanizada e Dra. Miriam fisioterapia (períneo).

Tudo começou em 11/06/2012 à noite com muito sangramento e algumas contrações, a médica pediu para ir ao São Luiz (com as malas) mas para falar a verdade eu ainda não estava pronta para este momento... sentia medo, achava que o bebê (até então não tinha certeza do sexo) viria próximo da data prevista (17/06)... a saída de casa foi um pouco tensa e por isso a Kátia nos encontrou na maternidade dizendo que eu quase causei um enfarto... ainda bem que o coração dela é forte pois as emoções estavam só para começar!!

Depois de um cardiotoco normal, o toque mostrava 1,5 de dilatação!!! Que ótima notícia! Neste momento percebemos como uma equipe humanizada faz a diferença porque eu poderia ter uma (desne)cesárea naquela noite...

Passei a terça e a quarta com pouquíssimas contrações leves e estava preocupada com o resultado do streptococo que deu positivo 3 vezes (mesmo fazendo 2 ciclos de  tratamento com alho "double x 24hours" para tentar negativar... mas este processo me deixava com um cheiro de tempero que invadia qualquer lugar que eu fosse...nem eu suportava!!) e me obrigaria a chegar no hospital com no mínimo 4 horas de antecedência para 2 doses de antibiótico. E ainda por cima uma possível lesão ativa de herpes (impeditivo total para o parto natural) o que nos fez parar com os exercícios de períneo e Epi-no (tínhamos chegado em 27cm).

Na quarta (13/06/2012) fiz aula de yoga (não perderia por nada!) e na volta para casa senti 1 contração. Por volta das 21h30 eu estava no banho e ouvi um "tumtum" na barriga... perguntei se o Yu (marido) tinha ouvido (é claro que não...) e como eu ia saber que a bolsa avisava? A minha sim...tinha estourado, ligamos para a obstetra e para a doula e quando deitei óbvio que a cama virou uma piscina porque a cabeça estava fazendo um "tampão" enquanto estava de pé.

22h começaram as contrações e eu tinha em mente que o trabalho de parto duraria no mínimo 12 horas. O Yu começou a cronometrar e me colocou no chuveiro com a bola de pilates, mas as contrações começaram fortes, longas e pouco espaçadas e eu pensando: mais 12 ou 24 horas??? Eu não vou conseguir, não vou aguentar !!!

A Kátia chegou !!! Que bom ouvir a voz dela...eu a abracei (acho que me pendurei nela) e pedi ajuda, tinha certeza que não ia conseguir... onde estava a minha fé? Mas eu estava na "partolândia" com a consciência totalmente alterada pela oxitocina (o Yu disse que eu virava os olhos, ainda bem que eu não xinguei ele, pois ele era o bravo guerreiro da noite!

Yu: Kátia, tira uma foto da gente no chuveiro? (ele todo molhado fazendo massagem na minha lombar)
Kátia: Não dá tempo!! Vamos sair!!!

Quando me tiraram do chuveiro eu disse "vamos assim mesmo" e saí andando (sem roupa?!?!) então me vestiram (um glorioso macacão que eu tinha separado para a ocasião)...mas depois viram que a roupa estava ao contrário! E eu nem percebi...Aliás eu tinha pedido para a Kátia não me deixar descabelada (até parece que lembrei disso na hora!).

Kátia: está com vontade de fazer força? Pois eu já estava com dilatação completa e iniciando o expulsivo!! Mas só a Kátia sabia disso...
Eu: Não ... eu pensei (e tinha esta parte? )

Quando chegamos na porta eu senti um "puxão" involuntário "para baixo" e senti um volume!!!

Eu: Kátia, senti a cabeça!!
Kátia: Pode ser só a sensação... mas ela sabia que não era...no elevador ela ligou e pediu para a doutora ir para a maternidade numa calma que o Yu pensou até que a médica não estaria lá...

Deitei no banco de trás no colo dela, no meio do caminho senti mais um "puxão" e senti a cabeça do meu bebê coroando e mais um puxão... ela pedia para eu soprar (eu nem sabia mais o que era soprar, pedi para ela soprar comigo), mas quando coloquei a mão, senti o volume do topo da cabeça e tentava "segurar e colocar para dentro"... Deus me ajuda, tá nascendo no carro!!! O Yu a 100km por hora na Av. dos Bandeirantes orando para dar tudo certo e segurando a minha mão...Depois vai ter que recorrer às multas!

Chegamos (de ré na contramão) !! O segurança trouxe uma cadeira de rodas (pensei: como vou sentar??) e a Kátia me levou para o OS. Quando vi a doutora, que felicidade!!! Ela me colocou na maca para fazer um toque, quando gritou: cabelo!!! corre!!!! E começou aquela correria...subimos para a labor delivery room (LDR) que tanto vimos em livros, equipada com banheira, estrelinhas no teto, etc...Linda!


A doutora disse: vamos para o banquinho (de cócoras) e eu disse: não vai dar!! Eram só 2 passos...o Yu lembrou de ligar para o pastor Mori fazer uma oração (eu tinha pedido isso durante toda a gestação) e quando sentei, a Nathalie Yuli escorregou de uma vez nos braços dela. Nossa sorte é que a doutora é goleira, pois senão a Yuli teria caído no chão!!



Eu estava muito assustada...não entendia nada, afinal foram 1h40 de trabalho de parto e quase ela nasce no box de casa!!

Detalhe: temos este momento tão maravilhoso registrado com poucas fotos (o Yu levou tripé para fotografar e filmar e ficou tudo na recepção, aliás ele subiu sem preencher nenhum documento ou autorização) todos na LDR sem paramentação, inclusive a doutora sem luvas !!!! Não deu tempo nem para isso!!!



E Graças a Deus a Yuli nasceu às 23h42 saudável, com os olhos arregalados, olhando todo mundo, chorando forte (Apgar 9/10) e não teve nenhum problema com o streptococo positivo (chegar 4 horas antes para fazer antibiótico?!?!), nem com a possível herpes e nem com icterícia (esta ela tinha grande tendência...).





A Dra. Deborah, a Kátia eu e a Yuli na LDR

Toda hora alguma enfermeira vinha buscá-la no quarto... e era porque todos estavam maravilhados com a nossa história abençoada e ela ainda era a maior bebê do berçário, todos queriam vê-la: 3,4 kgs e quase 50cm de altura.

Relato de Parto: Juliana e Beatriz -Relato da Juliana e do Cris, o papai


A CHEGADA DA BEATRIZ (Relato da Juliana)

Um pouco antes do parto...

Decidi começar o meu relato um pouco antes do parto em si, para descrever como me preparei para ele e as providências que tomei. Começarei por quando eu e meu marido decidimos que era o momento de aumentar a família. Era nosso aniversário de 1 ano de casamento, 08/08/2010, e fomos fazer um passeio de balão em Boituva para comemorar. Saímos para jantar na noite anterior ao passeio, conversamos e decidimos que estávamos “preparados” para ter nosso primeiro filho.

Aí surgiu minha primeira dúvida, continuo com meu plano de saúde ou contrato outro? Por conta do meu trabalho como advogada sabia bem os problemas que podemos enfrentar quando precisamos utilizar os serviços de saúde contratados através de um plano de saúde, além de saber da existência de carência de 300 dias para a cobertura do parto.

Marquei uma consulta com a ginecologista, da rede credenciada do meu então plano de saúde, que para aquelas consultas de rotina me atendia até que muito bem. Disse a ela que ia começar a tentar engravidar e ela me pediu alguns exames (ultrassom e hemograma). Antes mesmo de engravidar ou de começar a conversar com ela sobre questões relacionadas ao parto, ao tentar marcar uma consulta de retorno, descobri pela secretária que esta médica não atendia no consultório às terças-feiras pois “era dia de parto”. Heim?! Com essa informação parei e pensei: ou todas as pacientes dela têm uma ligação cósmica e entram em trabalho de parto juntas às terças-feiras, ou ela marca todas as cesárias neste dia da semana. Como achei que a segunda hipótese era mais plausível, resolvi mudar de médica, pois já sabia que pretendia ter um parto normal.

Antes mesmo de engravidar eu já tinha plena consciência de que o ideal é que o parto seja normal e que a cesária, como intervenção cirúrgica, só deve ocorrer quando for realmente necessária. Mas eu também já sabia que o nosso país, infelizmente tem uma das maiores taxas de cesárias do mundo e que não é fácil encontrar um médico que realmente esteja disposto a fazer um parto normal na rede privada.

Uma amiga muito querida já tinha uma filhinha e tinha tido um parto natural, humanizado, na água, lindo!!! Conversávamos bastante sobre o assunto e, graças a ela, eu já tinha bastante informação antes mesmo de engravidar. E foi ela quem me indicou uma médica incrível, que fez seu parto.

Marquei uma consulta com esta médica e me encantei com ela. Conversamos bastante, disse que gostaria de ter um parto natural se possível, mas que não era contra anestesia nem cesárea, desde que fossem intervenções necessárias, e ela me explicou que esta era exatamente sua forma de trabalho. Ela falou sobre o atendimento humanizado, sobre seu percentual de partos normais e de cesárias, sobre as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Pronto, eu já tinha escolhido a médica que ia me acompanhar na minha futura gestação e no meu parto, uma profissional em quem eu podia confiar, que não ia me enganar e me levar para uma cesárea desnecessária. Encantei-me também com o lugar onde esta médica atendia: a Casa Moara. Um lugar acolhedor, que congrega vários profissionais, todos visando o mesmo objetivo.
Passei a avaliar as maternidades que eram credenciadas do meu plano de saúde e constatei que várias haviam sido descredenciadas, dentre elas aquela em que eu gostaria que acontecesse o meu parto, a Maternidade São Luiz.

Decidi então mudar de plano de saúde e entrar como beneficiária do plano de saúde empresarial do escritório onde meu marido trabalha, que tinha uma ótima rede credenciada de maternidades e tinha a opção de ser atendida por profissionais de saúde de fora da rede credenciada e obter reembolso dos valores das consultas.

Parei de tomar anticoncepcional em setembro de 2010. Ao contrário de muitos casais que conhecemos, eu e meu marido não fizemos nenhuma “força-tarefa” para engravidar, apenas seguimos com nossa vida normalmente. E em abril de 2011 nós engravidamos!

Resolvi então conversar com meu marido sobre o tipo de parto e de atendimento que eu gostaria. Ao falar do parto natural, vi uma expressão um pouco surpresa/assustada em seu rosto. Meu marido estava acostumado a ver e acompanhar mulheres que marcam cesárias para ter seus filhos, muito diferente do que eu propunha. Sugeri que ele pensasse sobre o assunto e levasse suas dúvidas para serem tiradas com a médica que havia escolhido para nos acompanhar nessa jornada.

Na primeira consulta pré-natal, eu tinha poucas dúvidas, mas meu marido começou a bombardear a médica de perguntas, confesso que fiquei um pouco sem graça. Mas ele tinha todo o direito de perguntar o que quisesse e precisasse para se sentir seguro quanto ao acompanhamento do crescimento e do nascimento da sua filha. Até sobre episiotomia ele perguntou! E a médica respondeu a todas os seus questionamentos de forma tranquila e fundamentada. Saímos da consulta, perguntei se ele tinha gostado e ele me disse que sim e ressaltou: “não dá pra não concordar com ela”.

E, seguindo aquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe, eu e meu marido escolhemos exatamente a mesma equipe que acompanhou o parto daquela minha grande amiga, a mesma enfermeira obstétrica, a mesma doula e o mesmo pediatra, além de claro a mesma médica. Mas não foi só por isso, conhecemos antes todos eles, que também nos encantaram com seu profissionalismo, sua ética e sua tranquilidade.

Eu e meu marido estávamos certos e confiantes de que havíamos escolhido a melhor equipe possível para nos acompanhar na gravidez e no parto. E o parto natural nunca foi nosso objetivo. Nosso objetivo sempre foi o melhor nascimento para a nossa filha e, por isso, estávamos tranquilos se fosse necessário o uso de alguma intervenção, até mesmo uma cesárea.

Durante a gravidez, quando falávamos sobre parto humanizado e que buscávamos, se possível, ter um parto natural, vimos algumas pessoas com aquela cara de “vocês são loucos?” e “para quê isso?”, mas também nos deparamos com diversas pessoas que nos apoiaram ou se interessaram em saber mais sobre o que seria o atendimento humanizado que buscávamos, o que muito me alegrou.

Busquei me preparar, mental e fisicamente, o melhor possível para ter uma gravidez saudável. E a Casa Moara foi o local mais visitado durante a minha gravidez. Comecei a frequentar os encontros de gestantes com 9 semanas de gestação, que foram ótimos para trocar experiências e obter informações sobre a gestação, o parto e o pós parto. Lá também fiz yoga para gestantes, onde conheci minha querida professora com quem me identifiquei de cara e já decidi que ela seria nossa doula. Fiz ainda acompanhamento com a nutricionista e, mais para o final da gestação, com a fisioterapeuta para fortalecimento do períneo. A única atividade que fiz fora de lá foi a hidroginástica.

No meu primeiro Dia das Mães, com minha filha ainda na barriga, aquela minha querida amiga me presenteou com um livro delicioso: “Parto com amor”. E ainda me emprestou outros livros, que devorei durante a gestação: “Quando o corpo consente”, “Parto ativo”, “A bíblia da gravidez”. E um livro bem divertido, que recomendo para descontrair: “Onde vende o manual”.

Eu e meu marido fizemos também nosso plano de parto, para organizar nossas ideias e definir nossas preferências em relação ao nascimento da nossa filha. Colocamos no papel o que pretendíamos para o trabalho de parto, para o parto, para o pós parto, para os cuidados com nossa bebê e caso fosse necessária a cesárea.

Durante a gravidez, tive dois pequenos sustos. O primeiro foi descobrir que estava com diabetes gestacional, o que me deixou muito triste. Mas nossa médica me tranquilizou e bastou uma dieta, auxiliada pela nutricionista, mais restritiva de açúcar e carboidrato para que tudo corresse bem e eu conseguisse manter minha glicemia controladíssima.

Outro susto foi no finalzinho da gestação, que minha pressão subiu um pouquinho e tive um pouco de perda de proteína na urina, que seria um indicativo de pré-eclâmpsia. Nossa médica me tranquilizou novamente, mas pediu que medíssemos a pressão todos os dias e avisássemos se alguma estivesse alta. Compramos um medidor de pressão e passei a medi-la 3 vezes ao dia, e minha pressão voltou a normalizar sem maiores problemas.

O trabalho de parto!

No dia da minha DPP, 13/12/2011, uma 3ª feira, acordei mais tarde, descansei um pouco, almocei, fui para a aula de yoga, voltei para casa e fiz mais alguns exercícios de cócoras que a professora tinha me passado. À tarde fui caminhar com a minha amiga (aquela anja que me apresentou à minha médica) pelo bairro. Cheguei em casa e tomei um delicioso e relaxante banho de banheira. Meu marido chegou, nós jantamos, conversamos e fomos dormir lá pelas 22h. Eu dormi logo que deitamos e meu marido sorrateiramente trocou a televisão de canal e ficou assistindo a um dos filmes violentos que ele adora e que estavam proibidos durante a minha gestação.

Às 23:30h, acordei com uma sensação estranha... Percebi que tinha molhado um pouco a cama. Avisei meu marido e ficamos na dúvida: será que rompeu a bolsa ou fiz xixi na cama sem perceber? Levantei e saiu mais um pouco de líquido, mas como foi pouco ainda fiquei na dúvida. Tomei um banho, troquei de roupa e, como o líquido estava transparente, decidimos voltar a dormir.

Mas é claro que não conseguimos dormir, pois logo em seguida comecei a sentir as primeiras contrações, bem leves, e até às 00:30h foram umas cinco. À1h ligamos para a nossa doula, que pediu para contarmos as contrações, os intervalos e duração por aproximadamente 1 hora e ligar para ela novamente para relatar como foi.

Continuamos monitorando, e da 1h às 2h, tive 14 contrações, a primeira com duração de 46 segundos e a última com duração de 70 segundos. Ligamos para a nossa doula às 2:20h e relatamos como andava o trabalho de parto. Ela achou melhor vir pra nossa casa para acompanhar o TP mais de perto.

Por volta das 3h ela chegou. O porteiro do nosso condomínio não queria deixá-la entrar nem interfonar em casa por conta do horário e ainda disse a ela: “isso é hora de visitar os outros?” (doula tem que passar por cada uma...). Felizmente ela usou seu poder de argumentação, ele interfonou em casa e meu marido pediu “peloamordedeus” pra ela entrar.

A partir da sua chegada, as contrações passaram a ser monitoradas pelo “master-blaster”, como diria meu marido, programa do celular da nossa doula (beeem mais fácil do que ficar anotando manualmente as contrações).

Durante meu TP, fiquei a maior parte do tempo sentada na bola, controlando a respiração como eu havia aprendido nas aulas de yoga e a nossa doula massageava minha lombar durante as contrações com suas mãos mágicas. Não sentia dores na barriga, mas sim na lombar. Também fui ao banheiro diversas vezes e meu intestino ficou mais que vazio, a natureza é sábia...

A dor foi aumentando progressivamente. Mas até às 3:30h eu ainda ria das piadas contadas pelo meu marido e conversava normalmente nos intervalos das contrações. Lembro perfeitamente de nós três conversando no quarto, com a porta da varanda aberta. Mas a partir deste momento, as dores começaram a se intensificar, e meu bem humor foi diminuindo na mesma medida. Nesse momento lembrei de uma dedicatória que uma das minhas colegas de yoga escreveu no meu cartão de despedida da barriga, que dizia pra eu me lembrar, quando as dores fossem ficando piores, que era um sinal que minha filha estava chegando. Mentalizei isso até o final do meu TP.

Por volta das 4h, as contrações estavam bem doloridas e cada vez mais próximas, e nossa doula achou melhor já nos prepararmos e rumarmos para a maternidade, e já avisou toda a equipe que estávamos a caminho.

Nossa doula foi em seu carro. Meu marido foi dirigindo nosso carro, comigo no banco de trás, agachada e abraçada na bola. E essa foi a pior parte do meu TP, pois as dores estavam bem fortes, eu estava sem a santa massagem da doula na minha lombar, e as ruas esburacadas de São Paulo não ajudaram em nada. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida.

Quando chegamos na maternidade, às 5:15h, nossa enfermeira obstétrica já estava nos aguardando na entrada, sua tranquilidade aliada à da nossa doula foram essenciais naquele momento.

A admissão até que foi rápida, eu já havia deixado todas as informações necessárias anotadas numa folha de papel junto com os meus documentos, para o meu marido não se atrapalhar.

Nesse momento tive uma contração bem dolorida, que até escureceu minha vista. Lembro de olhar para nossa doula e falar que a dor tinha sido bem forte, e mais uma vez ela me tranquilizou.

Fomos para a sala ao lado da admissão para fazer o cardiotoco e o tão temido exame de toque, que me disseram que doía bastante. O cardiotoco mostrou que nossa bebê estava bem, mas eu não tinha dúvidas disso. A Beatriz mexeu bastante durante a gravidez inteira, inclusive durante os intervalos das contrações, o que me deixava tranquila.

O exame de toque foi feito pela nossa enfermeira obstétrica, que foi tão delicada que eu juro não ter sentido dor nenhuma. Após o toque, ela nos olhou com um sorrisinho no rosto e contou que a minha dilatação já estava de 8 para 9, mas que a bebê ainda estava alta. Senti um alívio enorme, pois uma das coisas que mais temia era chegar à maternidade e ter que voltar pra casa, e também porque, apesar de a dor estar forte, eu sabia que estava chegando ao final.

Fomos para a delivery. Nossa enfermeira obstétrica foi na frente para encher a banheira. Eu não quis ir de cadeira de roda, preferi ir andando. Fomos caminhando até o elevador eu, meu marido, nossa doula e a enfermeira da maternidade. Ao chegar em frente ao centro obstétrico, a enfermeira não deixou nossa doula ir comigo para a delivery porque ela e meu marido tinham que se paramentar para entrar (mais um dos protocolos discutíveis das maternidades...). Então eles foram se paramentar e eu fui com a enfermeira da maternidade para delivery, caminhando e fincando minhas unhas nela a cada contração (acho que ela se arrependeu um pouco de me acompanhar...).

Cheguei na delivery e fui direto pra banheira. Mas, como ela não estava cheia ainda, sentei um pouco no vaso para aguardar e logo comecei a sentir a tal “vontade de fazer força”. Vontade nada, meu corpo começou a fazer força sozinho! E eu, que já estava na partolândia essa hora, me lembro de ter um momento de lucidez e pensar: “espero que essa banheira encha logo, minha filha não vai nascer no vaso!”.

Meu marido e a doula chegaram. A banheira encheu e eu entrei rapidamente nela. Nossa médica também chegou em seguida. E veio mais vontade de fazer força. Agora eu não sentia mais aquela dor forte na lombar, era uma sensação diferente, parece que eu sentia minha filha descendo... Meu marido ia entrar na banheira comigo, mas acabou não dando tempo... Ele estava atrás de mim, segurando meus braços e nós ouvimos alguém falando: “cabeça”. Não consegui colocar a mão para senti-la, não conseguia largar meu marido.

Lembro também de sentir meu períneo ardendo bastante, o tal círculo de fogo. Logo em seguida a cabecinha da Beatriz saiu. Mais uma força e saiu o resto do seu corpinho. Ela “deu uma braçadas”, saiu da água e foi trazida para o meu peito, linda, roxinha, tranquila, com as unhas da mão compridas! Às 6:02h nasceu nossa princesinha Beatriz!

O pediatra que escolhemos para acompanhar o parto chegou logo que a Beatriz nasceu, foi tudo tão rápido que quase ele não chega a tempo!

Ficamos lá, muito emocionados, nos namorando, eu, meu marido e nossa pequena, que logo foi ficando rosinha com a água morna sendo jogada no seu corpinho... Foi o momento mais mágico e incrível de toda a minha vida...

Logo que o cordão umbilical parou de pulsar, meu marido o cortou. Pegaram a Beatriz para que eu pudesse sair da banheira. Eu estava tão emocionada e cansada que minhas pernas tremiam e precisei de ajuda para sair da banheira e ir para a cama.

Em seguida o pediatra trouxe a Beatriz e a colocou para mamar, onde ela ficou por quase uma hora. A minha pequena assim me ajudou a expelir a placenta, por volta de 30 minutos após o parto.

A nossa médica veio então avaliar meu períneo. Eu confesso que ardeu tanto quando a cabecinha ds Beatriz passou que achei que tivesse tido alguma laceração. Mas fiquei muito feliz ao saber que meu períneo estava íntegro, sem nenhuma laceração! Bendita fisioterapia perineal, bendito Epi-no!

A tranquilidade de todos da equipe que nos acompanhou no nosso parto foi essencial para que mantivéssemos nossa calma e nossa serenidade e tivéssemos a certeza de que tudo estava e terminaria bem. E isso é impagável! Ou melhor, pagável e vale cada centavo!!!

Agradeço à minha amiga Daniele Moraes, que esteve ao meu lado antes, durante e depois da gravidez e me apresentou à equipe que acompanhou nosso parto. E, coisas da vida, assim como eu estive com ela no dia do seu TP, ela também estava comigo no dia do meu!

Agradeço a toda equipe maravilhosa que nos acompanhou na gravidez e no parto da nossa filha: à nossa médica Dra. Andrea Campos, à nossa enfermeira obstétrica Marcia Koiffman, à nossa doula Katia Barga, ao nosso pediatra Dr. Douglas Gomes, à fisioterapeuta Miriam Zaneti, à nutricionista Amanda Buonavoglia.

Agradeço aos meus pais e minha irmã, pelo apoio, respeito e compreensão que me deram durante toda a gestação.

Agradeço ao meu marido Cristiano, que topou encarar esta aventura junto comigo, me apoiou e participou ativamente da gestação e do parto da nossa filha querida.

E agradeço à Beatriz, que me escolheu para ser sua mãe e me enche de alegria toda vez que me olha com seus lindos olhos azuis.



Relato do Pai, Cris
O Nosso Parto


Desde que fiquei sabendo que seria pai, passei a imaginar o momento do nascimento de nossa filha e como seria minha reação ao recebê-la fora da barriga de minha esposa, Juliana.

E pelos relatos que me foram contados ao longo da vida sobre a emoção indescritível de vivenciar o momento do parto, nunca tive dúvida de que estaria presente no nascimento de nossa amada Beatriz.

Entretanto, seja pelas experiências das pessoas que fazem parte da minha família e círculo de amigos, ou mesmo pela cultura da cesárea quase que imposta às mães no Brasil, até ser apresentado à realidade consciente, segura e responsável do parto natural, nunca havia imaginado que eu, simples pai, poderia exercer outro papel além de mero expectador no parto de nossa filha.

Não estou defendendo os benefícios do parto natural. É que, ao decidir por esta modalidade de parto, enfrentamos um sem número de caras feias e narizes torcidos de supostos experts da medicina obstétrica, que praticamente blasfemavam contra tudo aquilo que fugisse do roteiro da cesárea, de preferência agendada.

Não culpo nenhum desses críticos, mesmo porque muitos deles são entes queridos que certamente só queriam e querem o nosso bem. Aliás, eu mesmo era um defensor fervoroso da cesárea (apesar de sem qualquer conhecimento).

As repreensões que recebemos ao contar que pretendíamos ter um parto natural fizeram com que buscássemos o maior número de informações possíveis não só sobre o momento e forma do nascimento de nosso bebê, como também sobre como nos preparar para o parto.

Foi então que aprendi que eu já era pai, mesmo muito antes do nascimento de nossa filha. E que além de amá-la muito, eu já podia (e devia) ajudá-la a se desenvolver e a se preparar para sair do forninho, apoiando incondicionalmente e dando segurança à sua mãe.

Apesar de toda nossa preparação para o parto e por mais que tentássemos nos informar sobre a dinâmica do parto natural, tive que me conformar que cada parto é um parto, sem roteiro ou regras estanques. Simples assim, como quer a mãe Natureza.

Por isso, entendi que a melhor forma de eu ajudar no momento do nascimento de nossa filha era, além de tomar as providências práticas que estavam ao nosso alcance (escolha da equipe e hospital para o parto, etc.), fazer com que minha esposa tivesse certeza de que eu daria todo o apoio que ela precisasse antes, durante e depois do trabalho de parto, quaisquer que fossem as necessidades.

Outra providência prática que tomei foi não viajar mais a trabalho nas semanas que antecederam a data provável do parto, pois nossa filha não podia correr o risco de querer nascer e seu pai estar do outro lado do país. Adotadas essas cautelas, estávamos prontos, aguardando para, de um dia para o outro, segurar nossa pequenina nos braços.

Na quadragésima semana e primeiro dia (só quem engravidou tem essa tecnologia de contagem do período gestacional), Juliana suspeitou que tivesse chegado a hora, a boa hora. De fato, tinha início o nosso trabalho de parto.

Daí em diante começou, para mim, um processo mágico no final do qual teríamos nos braços nossa obra prima: a pequena Beatriz. Mas como cada parto é único, sem roteiro, não sabia o que viria pela frente.

Meia-noite: “Isto aqui é xixi ou um pouco de líquido amniótico”? Não soubemos ao certo, mas como estava clarinho, decidimos tentar dormir. Mas como dormir se nossa menininha, depois de 40 semanas e 1 dia, podia estar dando os primeiros sinais de que já estava pronta para sair do forninho?

Não, não. Definitivamente, não conseguimos dormir mais. Mesmo porque, minutos depois, Juliana começou a sentir as tão famosas contrações. Contrações levinhas, levinhas, daquelas que o papai nem consegue sentir com ouvidos, rosto ou mãos.

Mas logo essas leves contrações ganharam força e, para nossa surpresa, intensidade e alguma regularidade. Mas a dilatação de 0 a 10 dedos não levaria, em tese, 10 horas (1 dedo/hora)? Em tese, papai, em tese. Esqueceu-se que cada parto é único?

Como as contrações, à 1h e 30min da madrugada, já estavam durando de 40 a 70 segundos, com intervalos de 2 a 5 minutos, decidimos ligar e acordar nossa doula (espécie de mulher anjo que, além de tornar mais suportáveis as dores do parto, transmite calma e segurança ao casal).

Nossa doula pediu que contássemos as contrações por mais uma hora e, como as contrações passaram a vir ainda mais regulares neste período, nossa mulher anjo voou para nossa casa às 2hs e 30min da madrugada.

Quando ela chegou em casa continuamos conversando descontraidamente. Também ajudamos a mamãe (em pé, sentada e na bola de ioga) durante as contrações segurando-a, massageando-a e não a deixando esquecer-se das respirações ensinadas nas aulas de ioga.

Na medida em que as contrações estavam cada vez mais ritmadas (agora já contadas no máster bláster programa de celular de nossa doula), perguntei, por volta das 3hs e 30min da madrugada, se já não estava na hora de irmos para o hospital. Nossa doula, com a tranquilidade que lhe é característica, disse que Juliana ainda estava muito descontraída, e que só quando ela parasse de rir de minhas piadas entre as contrações é que estaria na hora de sairmos para o hospital.

Não demorou muito e realmente Juliana começou a se incomodar mais com as dores durante as contrações e a não querer mais papo entre elas.

Por volta das 4hs e 30min da madrugada, quando Juliana já estava quase incomunicável (ou se comunicando por grunhidos, olhares e fortes suspiros – o nome técnico científico desse estágio é “partolândia”), nossa doula me perguntou se já estava tudo arrumado (malas no carro) para rumarmos ao hospital.

Senti um misto de alívio e ansiedade, pois ao mesmo tempo em que podíamos estar perto do final do trabalho de parto, ainda não sabíamos com quantos dedos de dilatação Juliana estava e, assim, o quão mais o trabalho de parto poderia durar.

Ao sair de casa nossa doula entrou em contato com todo o resto de nossa equipe (médica obstétrica, enfermeira e pediatra) e eu fui com Juliana no nosso carro com ela no banco de trás esmagando a bola de ioga durante as contrações.

Percebi que no caminho até a maternidade, que às 5hs da manhã durou apenas incomuns 10 minutos, Juliana sentiu as contrações mais intensas (e dolorosas). Ao chegar no hospital, nossa enfermeira obstétrica já estava nos esperando e, finalmente, teríamos a exata ideia do estágio do trabalho de parto.

Após o cardiotoco (mamãe e bebê ok) nossa enfermeira nos olhou com um sorriso meio maroto e disse: 8 para 9 dedos. Caramba, mas não é com 10 que os bebês nascem? Isso mesmo, para nossa grata surpresa, Bia já estava em vias de deixar o forninho.

Percorremos intermináveis 30 metros entre a sala de admissão e a sala de parto, entre passos contidos, abraços apertados e gemidos em 3 ou 4 contrações muito intensas. Não pude entrar direto na sala de parto, pois a enfermeira do hospital disse que eu teria que “me paramentar”. Deixei Juliana com as enfermeiras (a nossa e a do hospital) e fui correndo “me paramentar”.

Quando voltei para a sala de parto, Juliana estava prestes a entrar na banheira, com contrações muito intensas e já no último estágio da “partolândia”. Foi só o tempo de terminar de encher a banheira para colocarmos Juliana dentro da água morna (para amenizar a dor).

A ideia inicial era que eu também entrasse na banheira e servisse de apoio para as costas de Juliana, mas as contrações vieram tão rapidamente que a fiquei segurando do lado de fora da banheira.

Duas ou três contrações depois ouço: “cabeça”. Como eu estava atrás de Juliana, nossa médica disse para eu colocar a mão na água e sentir o cabelinho. Só que eu estava tão preocupado em acalmar e dar suporte à Juliana, que nem mesmo consegui deixar de segurá-la. Mais uma contração e ouço: “agora está quase no fim, só falta passar o ombrinho”.

Olho, vejo nossa bebezinha debaixo d’água e fico imensamente feliz por Juliana ter conseguido manter a calma e ter tido, até ali, um trabalho de parto maravilhoso.

Segundos depois, após a última contração expulsiva, a médica pega nossa bebezinha e imediatamente a coloca, roxinha, no colo de Juliana, só com a cabecinha fora d’água.

Tudo o que eu dissesse aqui não seria capaz de revelar a emoção e a magia daquele momento, no qual tive a certeza de que nasci com um propósito nesta vida: ser pai daquela princesinha.

Ela já nasceu linda, ficando rosinha a cada copinho de água morna da banheira que despejávamos carinhosamente em seu corpinho. Cortei o cordão umbilical e, em seguida, já fora da banheira, nosso pequeno milagre já estava dando a sua primeira mamada.

Nosso parto foi lindo e me fez sentir emoções até então desconhecidas e indescritíveis. Nossa bebezinha, recebida de forma tão espontânea, fez com que eu percebesse de forma presente e ativa o milagre de seu nascimento.

Agradeço imensamente à Casa Moara, por ter nos esclarecido de forma consciente e segura as possíveis formas de se trazer um bebê ao mundo, à nossa equipe de parto (Andréia, Douglas, Kátia e Márcia) e principalmente à Juliana por ser minha esposa e mãe de nossa filha e à Bia, que me escolheu para ser seu pai.

Espero, de coração, que os futuros papais e mamães possam vivenciar experiência semelhante.

Boa hora.

Monica e Matheus - 16/11/11


Depois de quase três meses, resolvi escrever meu relato de parto. Espero que possa servir de fonte de inspiração para outras mulheres, para que se apoderem do seu lado mais fêmea neste mundo tão formatado.


Aliás, entre vários motivos que me levaram a encarar esse parto, um deles foi a negação de uma vida "enlatada" em que o ser humano é condicionado ao tempo do mundo, sem respeito ao seu próprio tempo... não queria que o nascimento do meu filho fosse programado, nem que o tempo de trabalho de parto fosse cronometrado como se uma tragédia fosse acontecer pq é mais demorado... também não queria ficar separada por um lençol esperando que me entregassem um bebê "c/ uma carinha ajeitada". Queria pegar ele no colo ainda quentinho de dentro de mim, sentir seu cheiro e seu corpinho meladinho... Sei que a vida acaba nos impondo outro ritmo, mas espero que a experiência desse nascimento fique registrada na memória dele, para que todas as vezes que ele precisar possa acessá-la, possa olhar pra dentro de si próprio, ter seu próprio tempo, ficar apenas consigo mesmo e retomar para as exigências da vida, ainda que nascer e renascer seja trabalhoso ...

Outro motivo, foi o medo de uma depressão pós parto. Eu havia lido que os hormônios liberados durante o parto podem ajudar a diminuir os efeitos da depressão pós-parto. Já passei, em algumas ocasiões, pela experiência da depressão e tinha horror de pensar que num momento tão especial, em que eu iria querer estar inteira pro meu filho, eu poderia estar desconectada da felicidade. Não que o começo com um bebê em casa não seja difícil, toda adaptação ao novo dói por fazer morrer o velho – é assim mesmo o nascer de uma mãe - mas essas primeiras dificuldades nem de longe se pareceram com uma depressão. O sorriso sempre esteve em meu rosto, junto com as lágrimas pela dificuldade de amamentação e a inexperiência, mas vá lá...

Começou cerca de quatro semanas antes da data prevista para o parto, um centímetro por vez a cada consulta, e, conforme ia ganhando dilatação a ansiedade ia aumentando. Meu marido estava numa fase de viagens constantes, eu estava enorme e entediada com meu tamanho e a espera. Sou do tipo suuuuper ligada na vida e a mil por hora, então dá pra imaginar como foram estas últimas semanas. Eu ficava esperando a aula de yoga da Kátia, pra conversar com outras gestantes, além de que a Kátia foi desde sempre só afeto comigo.

Foi engraçado como eu cheguei até ela. Num dos encontros da Casa Moara me encantei com seu modo doce de falar e firmeza ao mesmo tempo e tive o sentimento de que ela seria a melhor pessoa para estar ao meu lado no momento do parto. Dito e feito, lá pela 35ª semana de gestação fui conversar com ela. Estava meio em cima da hora pra escolher uma doula, mas ela carinhosamente aceitou meu convite. Obrigada Kátia, seus conselhos foram mágicos naqueles momentos...

A data prevista era 10/11, mas meu pequenino resolveu esperar até 15/11, com 41 semanas, pra começar sua trajetória rumo e este mundo. Naquela manhã, por volta das 6:00 acordei com uma pontada bem forte que parecia uma cólica menstrual, mas que logo, logo passou. Por volta das 8:00, outra e depois das 9:00 também. Era feriado, acordei meu marido e disse a ele: é hoje, o que estou sentindo é diferente de tudo que senti até agora. É hoje!

Lembrei que eu deveria reunir forças para o trabalho de parto e que dormir seria uma boa idéia, mas as cólicas e a ansiedade me faziam relutar em descansar. Consegui cochilar umas duas vezes e durante todo esse período o Arthur esteve falando algumas vezes com a Kátia ao telefone pra deixá-la a par dos acontecimentos.

Por volta das 15:00 acordei com uma cólica bem mais forte, a Kátia telefonou e disse que estava terminando um bolo junto com a filhinha dela e que logo depois iria pra nossa casa, o que não demoraria pois moramos bem perto. Ela sugeriu que eu tomasse uma ducha pra relaxar. Enquanto eu tomava a ducha ela telefonou mais uma vez e ouviu meus gemidos pelo telefone enquanto falava com o Arthur e disse: "pelo visto, agora está na hora de ir pra aí, já estou chegando".


Sua presença e experiência foram mágicas. Assim que ela chegou, eu estava saindo do chuveiro e ainda na porta do banheiro ela me cumprimentou com um abraço caloroso e cheio de coragem. Mais um tempinho e outra contração veio e eu dando chilique... Foi aí que entrou em cena a experiência da Kátia. Ela me disse: "Vc consegue sentir quando a contração vem?" Eu respondi que sim, que era como uma onda chegando. Então ela me disse: "Vc não vai mais deixar ela te pegar, vai pegar ela primeiro. Vai respirar bem fundo quando estiver chegando a contração e soltar o ar devagarinho". Foi mágico!! Parei de dar chilique naquele momento. Comi um doce de banana que meu marido preparou e até tiramos algumas últimas fotos do barrigão em casa.

O tempo foi passando. Ela ia me ajudando com a respiração e contando as contrações enquanto eu ia relaxando cada vez mais e me concentrando no meu corpo... teve massagem nas pernas, um pouco de exercício com a bola, e, às 20:00 a Kátia falou pro Arthur que poderia ainda demorar um pouco e que era bom a gente providenciar algo pra comer.

Enquanto ele ligava pra pizzaria ela sentou ao meu lado no sofá e disse: "Vc está indo bem, mas podemos passar a noite nisto, vc não quer começar a caminhar um pouco pela casa?". Comecei a dar umas voltas. Enquanto andava as contrações vinham chegando e eu respirando e me concentrando. Numa certa hora ouvi ela dizendo pro Arthur: "Olha a carinha dela, ta indo pra partolândia". Eu tinha tanto ouvido falar dessa tal de partolândia e agora tava indo direto pra lá, um espaço onde não existe o tempo, só o momento, sem linha cronológica...

Caminhar foi tudo de bom, pois, as 20:30 ela disse ao Arthur: "Agora não dá mais pra ficar em casa. Ritmo das contrações está aumentando. Está na hora de irmos pro hospital".



Dito e feito, as contrações agora me faziam querer descer ao chão e estavam bem mais próximas. Senti um quê de felicidade por estar mais perto do meu filho e lá vinha outra contração...

Entramos no carro. Era feriadão e não tinha ninguém em São Paulo. O caminho foi tranqüilo, menos quando estávamos quase chegando perto do H. São Luis, pois tem umas ruas bem esburacadas por ali. Eu pedi pra parar o carro uns metros antes do hospital pra ter uma contração daquelas e depois prosseguimos. Por aí dá pra perceber que realmente a gente sente quando a danada tá chegando e por isso dá tempo de respirar.

Chegamos ao hospital e fui caminhando até a triagem. A Dra. Marcia já estava me esperando e fez um toque. Sete centímetros e meio de dilatação! Sem brincadeira, nessa hora eu tava me achando. Eu pensava: 7 e ½ e tô de boa?! Se for assim é moleza...
Fui caminhando até a sala de parto e no caminho parei umas 3 vezes pelas contrações. Me despedi da Kátia e do Arthur, entrei sozinha na sala de parto e fique lá esperando por eles que tinham ido vestir a roupa obrigatória. Nessa hora, olhei pra um monte de aparelhos ligados e pensei: "Ferrou, vou morrer aqui. Pra que tudo isso?" Depois pensei: "Coragem Monica. Não dá pra voltar e a hora é agora. Concentre-se, concentre-se!"

Logo eles chegaram. Fiquei bem calma. O Arthur me abraçou e passou seu rosto no meu. Estava suuuper lisinho. Eu disse: "Fez a barba pra receber o Matheus é?" E ele disse: "Tb, mas foi pra fazer carinho na mãe do Matheus". Puxa mulherada, vcs podem imaginar que isso não tem preço. Na hora que vc ta mais escancarada do que nunca e sem "maquiagem" o seu homem lembrar que vc gosta de certos mimos é tuuuudo de bom...

Fui pra banheira, mas a água estava um pouco quente pra mim e não me adaptei bem por lá. Fomos pro quarto mesmo e eu fiquei de pé, me segurando no Arthur quando vinham as contrações.

Agora eu já não tava mais me achando não. Elas estavam evoluindo e eu sentia as danadas mais fortes. Numa dessas tive vontade de cravar os dentes em alguma coisa e o que vi pela frente foi o avental que o Arthur usava. Só depois vim a saber que nessa ele levou uma bela mordida. Tadinho...

A Dra. Andréa, que me acompanhou durante todo o pré-natal chegou e fez outro toque. Oito centímetros! Oito??!! Fiz a coisa mais idiota que alguém poderia fazer nessa hora. Fiz conta. Do tipo: cheguei com 7 e ½ numa boa, agora tô chilicando e ganhei só ½ centímetro??!! Fala sério!!!

A Andréa sugeriu romper a bolsa pra ajudar a descida do bebê. Eu sabia que as contrações ficariam mais doloridas após o rompimento da bolsa, mas já estávamos lá mesmo e quem tá na chuva é pra se molhar, não é mesmo?

Dito e feito, ela rompeu a bolsa e as contrações vieram com tudo. Ela também tentou descolar um pouco mais as membranas do colo do útero pra ajudar a dilatação, mas esse tipo de toque, aí sim, era insuportavelmente doloroso pra mim...

A partir desse momento eu não era mais eu, era apenas uma fêmea dando à luz sua cria. Eu estava de joelhos abraçada à cama e soltava tudo que podia pela garganta, urrava como um animal mesmo e largava o corpo durante as contrações. Acho mesmo que nem sei repetir os sons que emiti naquela sala aquela madrugada. Mas sou assim mesmo, muito intensa em tudo, então meu parto não poderia ser diferente não é mesmo?!

Já perto do expulsivo teve uma hora – aquela em que a gente chama urubu de meu loro – em que eu virei pra Andréa e falei: " Eu não sou a super mulher, pode chamar o anestesista pq eu tô cansada de sentir dor". Ela prontamente atendeu ao meu desejo, mas, quando a anestesista chegou, entre uma contração e outra, quando finalmente eu consegui sentar na cama e ficar na posição correta, a anestesista disse: "não posso aplicar a anestesia, esta moça está sem o acesso do soro". Eu tinha feito tanta força que o acesso tinha escapado da minha mão. Pensei: "Já era, não vou conseguir ficar nessa posição novamente..."

A Andréa sugeriu que eu me sentasse no banquinho de parto e que ela tentasse descolar o último centímetro de colo do útero que faltava dilatar. Put´s como isso foi dolorido. Esse último centímetro parecia 1 km a percorrer... Ela tentou umas duas vezes, mas eu não suportava esse toque, até que pensei o seguinte: "Anestesia não dá, também não agüento mais tudo isso, então vai ter que ser com a Andréa mesmo..." Aí eu disse pra ela: "Faz o que vc tem que fazer". Me concentrei e ela me ajudou. Foi um alívio, parei de sentir qualquer dor...

Não faço a menor idéia de quanto tempo durou o expulsivo, mas pude constatar por experiência própria que é possível um parto s/ anestesia. Quem sabe no meu próximo parto eu nem chego a pedir por ela... Também não foi preciso episio, apesar do Matheus ter nascido com 4.220kg, e isso foi fruto de bastante epi-no e massagens a partir da 35ª semana.

O tempo corre de um jeito diferente enquanto a gente está lá naquela sala de parto. E, se tem algo de que me lembro durante o expulsivo era o silêncio e respeito das pessoas presentes. Não tinha ninguém me apressando e dizendo faz força, faz força. Pelo contrário. As palavras eram de incentivo e quando a cabecinha do Matheus coroou, a Andréa sugeriu que eu pusesse a mão pra senti-lo. Mas não deu não. A emoção era tamanha que eu achava que se o sentisse ia me desconcentrar.

Um tempo depois saiu a metade da cabecinha e depois toda. Mais um pouquinho e saiu de uma vez só todo o seu corpinho. Dei um grito e ao mesmo tempo comecei a chorar de emoção. Peguei ele imediatamente e trouxe pra perto do meu corpo. Que delícia! Ele ali, nos meus braços, todo meladinho, quentinho, com um cheiro de cria nova que só as mães sabem explicar. Nessa hora a gente não é gente, é bicho, é instinto e prazer...

Em nenhum momento, durante todo o tempo em que eu estive por lá, passaram pela minha cabeça pensamentos negativos ou dúvidas sobre o sucesso do parto. Tive o tempo todo pessoas incríveis ao meu lado. Meu marido, que desde sempre apoiou minha opção pelo parto natural, a Dra. Andréa, esclarecendo minhas dúvidas na maior paz e transmitindo sempre confiança. A Bela, a quem pude confiar meus temores e que me ajudou muito a fazer uma última faxina mental pra receber meu bebê, e a Kátia, que me acolheu afetuosamente e ajudou na minha consciência corporal e respiração. Enfim, o trabalho de toda equipe foi maravilhoso desde o pré-natal e eu estava bastante confiante. Sou grata à vida por ter posto no meu caminho todas estas pessoas que me acolheram neste momento tão importante da minha vida.

Obrigada Deus, por confiar a mim a maravilhosa missão de ser mãe!

Obrigada Arthur, por sua presença em minha vida!

Obrigada Bela, você emite paz só pela sua presença!

Obrigada Kátia, por seu acolhimento!

Obrigada Andréa e Marcia, pela dedicação!


Cristina e Maria Alice - 12/04/11

As meninas de nossas vidas

A CHEGADA DE MARIA ALICE

Há nove meses minha bebezinha é acalentada em meus braços e não mais em meu ventre. Durante todos esses dias fico relembrando os momentos que antecederam o seu nascimento e me emociono com cada detalhe que me vem a memória. Nem sei bem por onde começar. Mas acho que tudo começou quando decidimos, eu e meu marido Guilherme (Gui), ter nosso segundo bebe. Nossa Ana Clara já estava com 1 ano e meio e começamos a "tentar" engravidar novamente. Ao contrario do que aconteceu na primeira gravidez, demorei uns 8 meses para engravidar e quando estava com 7 semanas acabei tendo um aborto espontâneo. Tudo isso aconteceu em meio a mudança de trabalho, e da descoberta que o médico que me acompanhou no pré-natal da Ana não atendia mais pelo meu convênio, o que me deixou bastante preocupada, pois gostava muito dele. Hoje sei que isso foi providencial, pois acredito que com ele teria tido outra cesária. Depois do aborto comecei a procurar outros médicos para que quando engravidasse novamente já tivesse alguém que me acompanhasse. Então encontrei um que seguia o mesmo padrão do primeiro e fiquei contente. Mas nessa busca por médicos de confiança na internet acabei encontrando alguns sites sobre parto humanizado. Dois meses depois do aborto estava eu grávida novamente, felissíssima, mas com uma súbita "neurose". Não queria que ninguém fizesse nada no parto. Neste momento percebi o quanto a minha cesária tinha mexido comigo. Comecei a ficar com muito medo de ter outra cesária e não entendia porque algumas mulheres conseguiam ter um parto "normal" e eu não. Então comecei com uma brincadeira que esse bebe iria nascer de parto normal nem que fosse com o SAMU e que ninguém colocaria a mão em mim. Mas tudo isso não poderia ficar na bincadeira, tinha que pesquisar, saber como poderia fazer para ter um médico que apoiasse o parto normal. Foi assim que vasculhei a internet atrás de informações sobre parto humanizado e médicos humanizados. E advinhem o que descobri: Nenhum atendia pelo meu convênio. Mas uma decisão eu já tinha tomado, iria fazer yoga, como forma que manter uma atividade física que já tinha antes de engravidar e porque era "bom" para gestantes. Foi quando descobri o site do babyoga e o contato da Kátia Barga. Liguei e combinei de ir no sábado seguinte, na casa Moara, fazer uma aula experimental.




Yoga desde o inicio



Minha professora de Yoga, doula e amiga, Katia Barga





Nesta época estava com 13 semanas e fazendo o pré-natal com um médico que me atendia em 5 minutos. Em casa continuava a aloprar meu marido que queria parto normal. Comecei a vislumbrar um mundo novo com as buscas na internet e as primeiras conversas com a Kátia. Algumas conversas em casa eram tensas porque sabíamos que não poderíamos contar com o convênio que tínhamos. E ainda não entendíamos muito como funcionava esse negócio que para ter um parto humanizado, natural você tinha que viver em um mundo paralelo. Um mês depois de começar as aulas de yoga, a Kátia nos convidou para participarmos de um workshop de preparação para o parto. Foi em cima da hora, mas topamos na hora, o que de certa forma demonstrava que o Gui, apesar das dúvidas, principalmente financeiras, estava interessado no assunto. E no sábado, lá fomos nós, com 17 semanas, fazer o workshop. Eu saí de lá muito mais envolvida e o Gui saiu transformado. Depois desse dia não se questionou mais como seria o nosso parto. Tínhamos certeza que seria natural, não sabíamos ainda os detalhes, mas já estava sendo ativo, em constante busca de informações e tomada de decisões. Agora eu precisava convence-lo de uma parto domiciliar. Tínhamos uma amiga que tivera sua terceira filha em casa, o que na época me pareceu um absurdo, mas como diz o ditado, "não cospe para cima que cai na testa", agora estava eu lutando por um parto domiciliar. Agora me parecia óbvio não precisar sair de casa para parir. Nada mais aconchegante e gostoso do que nossa casa, com nosso cheiro, nossas coisas, onde conhecemos cada canto, onde podemos preparar nosso ninho para receber nosso rebento. Queria poder ficar ali, no melhor lugar do mundo, para o melhor momento do mundo. Combinamos então de participar de um encontro (de gestantes na Casa Moara) sobre parto normal hospitalar e outro sobre parto domiciliar e só então conversaríamos novamente sobre o assunto. Novamente o efeito foi revolucionário para o Gui. Os relatos de parto, sua dignidade, seriedade, emotividade, tudo tornou muito mais tranqüila a decisão. A única coisa que continuava pegando era a questão financeira e quem nos acompanharia nessa jornada. Saindo de um desses encontros lembro-me de ter comentado com o Gui que gostaria de ser acompanhada pela Márcia Koiffmann. Ela estava presente em dois momentos em que estivemos na Casa Moara, nos encontros de gestantes de quarta-feira a noite e gostei muito da segurança que ela passava ao falar sobre o parto domiciliar, falando de suas experiências, de dados estatísticos e de suas condutas. Quem conhece sabe... Decidimos então que em Janeiro passaria em uma consulta com ela para dar continuidade ao pré-natal. Também tinha decidido que conversaria com a Kátia para que ela fosse minha doula. Um dia o Gui chegou em casa dizendo ter pedido o adiantamento de suas férias para que pudéssemos usar para ajudar a pagar as despesas com o parto. Para mim esse foi o sinal de que ele estava de fato querendo o mesmo parto que eu. Sua participação foi sempre muito ativa, desde ir as consultas, aos exames, aos encontros e principalmente no final da gravidez quando mais precisei de seu apoio e confiança.O tempo foi passando, eu trabalhando e cuidando da Ana Clara dentro de minha rotina normal. Como na minha primeira gravidez, me sentia muito bem disposta, tanto física como emocionalmente. Mas quando estava com 37 semanas tive uma crise de ansiedade. Isso já tinha acontecido antes, há uns 10 anos atrás e depois em outras situações, mas não tão intensamente como desta vez. Nesses crises eu fico com um tremor incontrolável no corpo todo, mas como já sabia que era ansiedade por "algo" inesperado, não fiquei preocupada num primeiro momento. O problema é que elas começaram a se repetir quase que diariamente. Até que tive uma crise na minha primeira consulta com a Pri (parteira que acompanharia o parto com a Márcia). Imaginem, ela ficou super preocupada, mas foi de uma atenção e um profissionalismo e cuidado indescritíveis. Na mesma hora propôs uma sessão de acumpultura, ligou para a Márcia, me medicou com Bryophylus e Stress Doors (ansiolíticos antroposóficos), e sugeriu que eu procurasse uma psicóloga, Eliana Pommé, que trabalhava com massagem bio-dinâmica. Além disso conversamos muito sobre o que poderia estar me deixando ansiosa às vésperas do parto. Eu sabia que não era nada além do medo de não ser capaz de ajudar minha filhinha a vir ao mundo. Tinha medo de não entrar em trabalho de parto, tinha medo de não agüentar a dor, de acontecer alguma coisa errada e, a partir das crises de ansiedade, medo que esses tremores atrapalhassem de alguma forma o trabalho de parto. Medos tão comuns neste momento, mas que em mim se manifestavam de uma forma muito intensa, física e sem controle. Aos poucos percebi que a respiração e a mudança de foco faziam com que os tremores parassem, mas quem garantia que na hora mais importante seria assim. Há duas semanas de completar 40 semanas fui conhecer a Eliana: bárbara, se dispôs a me atender em pleno sábado a tarde, me ouviu, tranqüilizou e não prometeu nada a não ser tentar me ajudar a enteder esse momento e me preparar para o que viesse, fosse o que fosse. Foram quatro encontros de muita conversar e trabalho corporal, onde pude entrar em contato com fantasmas de minha história que não sabia serem tão poderosos dentro de mim. Neste momento comecei a conhecer um marido que ainda não conhecia, que me apoiou, me tranqüilizou, que foi meu motorista, e que me tranqüilizava novamente. Parei de trabalhar com 39 semanas e 1 dia, uma decisão tomada depois da primeira sessão de acumpultura com a Pri.Senti naquele momento que precisaria de um tempo para me preparar, me cuidar diante de tantas coisas que estavam acontecendo. E foi a melhor coisa que fiz, ficar um pouco mais recolhida, voltada para esse momento tão importante, único, ser um pouco mais cuidada...

despedida da Barriga e Boas vindas a Maria Alice

Então chegamos à 40 semana e nada de trabalho de parto. Desde a 39 estava sentindo contrações e cólicas fracas, como as menstruais, geralmente acordava no meio a noite com contrações mais fortes, mas que depois paravam. Eram os chamados pródomos. Com 40 semanas e 2 dias a Pri me examinou e eu estava com 1 cm de dilatação, mas sem sinais maiores de que iria entrar em trabalho de parto. Então fizemos mais uma sessão de acumpultura e mochabustão e ela me indicou algumas medicações homeopáticas que poderiam ajudar neste momento.. já não estava mais tendo crises de ansiedade como antes, mas a tensão continuava, agora porque já estava com mais de 40 semanas e não queria chegar as 42 e correr o risco de ter que induzir o parto. Ainda mantinha minha vontade de que o parto fosse o mais natural possível. Além do que, com uma cesária prévia não era muito recomendado a indução com ocitocina. Quando sai da consulta com a Pri tive uma crise de choro, o Gui estava comigo e falei desse medo de não entrar em trabalho de parto. Não sei se para me tranqüilizar ou porque ele de fato acreditava, mas disse que iria dar tudo certo e que era só deixar a natureza agir.Voltamos para casa e seguimos nossa rotina. A essas alturas as pessoas começam a perguntar se você não esta sentindo nada, o que vai acontecer se não nascer. Eu sempre tentava transparecer que estava tudo bem, que o processo era assim mesmo, mas por dentro só eu sabia a ansiedade que estava. Na quarta feira fui a última consulta com a Eliana e na sexta fiz minha última sessão de drenagem linfática, como uma forma de me despedir da barriga e acreditar que de fato o momento do parto estava chegando. Desde o sétimo mês meus pés e pernas começaram a inchar muito e a drenagem linfática ajudou bastante, tanto a desinchar um pouco como com as dores do inchaço. No domingo fomos ao bairro da Liberdade, já que tínhamos que nos distrair com alguma coisa. E Finalmente na madrugada de domingo para segunda, por volta das 0:30 comecei a sentir as primeiras contrações, ritmadas e intensas. Acordei o Gui e começamos a contar. Estavam intensas duravam por volta de 40s e com intervalos de 5 min. Por volta de 1:30 liguei para a Kátia e ela perguntou se eu queria que ela já viesse. Disse que ainda não precisava, mas meia hora depois como as contrações continuaram intensas e em intervalos regulares e eu estava super ansiosa, liguei novamente pedindo se ela poderia vir. Ela mais que prontamente, disse que já havia se trocado e estava vindo. Eu e o Gui fomos arrumar algumas coisas para nos prepararmos para o grande momento q se aproximava. A Ana estava dormindo em seu quarto e como tem o sono pesado não percebeu a movimentação. Por volta de 2:30 a Kátia chegou e as contrações se espassaram. Ela ficou comigo conversamos um pouco, comemos algo e ela sugeriu que eu descansasse, mas eu não conseguia ficar deitada pois doía muito nas contrações. Além do que estava tremendo muito. Ela me mostrou fotos de sua viagem, de sua linda família, e eu comentava com ela o quanto era incomodo todo aquele tremor e tensão. Durante as contrações ela me massageava os ombros e me ajudava a relaxar. Vimos juntas o amanhecer do dia e as contrações continuavam ritmadas mas com intervalos de 7mim. A Ana acordou e o Gui foi levá-la para a escola. Quando ele voltou a Kátia sugeriu que fossemos fazer uma caminhada na área externa do prédio. Estava um friozinho gostoso e nesse momento ela fez um comentário que me tranqüilizou: disse que já tinha acompanhado um parto de uma pessoa q também tremia muito. Então eu perguntei: "E nasceu normal". Ela respondeu :"Claro, como a Maria Alice vai nascer". E me sorriu meigamente. Nossa se a Kátia, com sua experiência já tinha visto isso acontecer, então eu podia confiar em mim e em meu corpo, que mesmo sem controle naquele momento já estava mostrando trabalho. Quando subimos tomamos um café da manhã. Deviam ser umas 10:00. E então a caminhada começou a surtir efeito. As contrações começaram a ficar muito intensas e em intervalos muito curtos. A Kátia ficou comigo fazendo massagem nas contrações e o Gui me dando gotinhas de homeopatia. Que dupla maravilhosa.

minha anja
meu anjo
De um momento para outro comecei a sentir vontade de fazer força. A Kátia pediu q a Márcia viesse e por volta das 12:30 ela chegou. Me encontrou querendo ficar de cócoras. Pediu para me examinar. Com a bebe estava tudo bem e o exame de toque mostrou que eu estava com 6cm de dilatação. Que alivio, as coisas estavam caminhando, mas a vontade de fazer força era porque o colo do útero estava um pouco para trás, o que foi resolvido com uma massagem feita pela Márcia. A Kátia me falava palavras de incentivo. Neste momento fui para o chuveiro e as contrações se espassaram novamente. Eu aproveitei para descansar e a Pri chegou. Depois de um pouco de descanso a Pri sugeriu que fizéssemos acumpultura e mochabustão. Era um pouco dolorido ficar deitada, por causa das contrações, e não sei ao certo quanto tempo se passou. Quando levantei comi um pouco de nhoque que alguém pos num prato para mim e o efeito da acumpultura e da mocha começou. Voltaram as contrações ritmadas e intensas. Depois de algum tempo outro exame de toque e continuava nos 6cm. Que tensão. Vale dizer q neste momento eu já não tremia desde que o trabalho de parto engatou, alias nem lembrava de ansiedade , só pensava que estava chegando a hora de conhecer meu bebe. Conversava com ela. Era um final de tarde linda, ensolarada e fresca. Mas ainda iria demorar um pouco para vê-la. Mais uma vez o trabalho de parto estacionou. As contrações se espassaram depois que eu entrei no chuveiro de novo. Apesar da banheira já estar montada, a água não estava sendo uma boa opção. No inicio da noite, a Pri fez outra aplicação de acumpultura e durante a inserção das agulhas as contrações voltaram a ficar fortes.

Priscila, enfermeira obstetriz fazendo acumpultura

Márcia Koiffmann, enfermeira obstetriz














As meninas já tinham se organizado para se revesarem em ir para casa, mas como parto é algo realmente imprevisível, todos os planos foram alterados. Às 19:30 minha bolsa rompeu e eu entrei em Nirvana. Durante as contrações me apoiava no Gui (fiz isso o tempo todo). Por volta das 22:00, depois de auscultar o coração da Maria Alice, a Marcia surpreendentemente disse que iríamos para o Hospital. Explicou que a Maria Alice tinha tido algumas bradicardias (diminuição do ritmo cardíaco), que não estavam associadas as contrações, possivelmente era devido a alguma pressão no cordão, mas eu ainda estava com 8 de dilatação, o que significava que o trabalho de parto ainda iria demorar um pouco, então era melhor prevenir qualquer outra situação inesperada indo para hospital. Arrumamos nossas coisas rapidinho. A Kátia me ajudou porque eu não conseguia pensar direito no que precisava para mim. A Pri fez contato com o Médico do meu plano B. Fomos com a Márcia até o São Luiz. O caminho nunca me pareceu tão longo, principalmente porque eu estava ajoelhada no banco, virada para trás, então não tinha referencial. Neste momento só pensava se estava tudo bem com a BB e se teria que fazer outra cesária. Apesar da preocupação, não estava ansiosa ou com medo. Acho que no fundo sabia que daria tudo certo. Chegamos ao hospital e a Márcia já me encaminhou para a triagem enquanto o Gui fazia a admissão. Tudo foi muito rápido e quando me dei conta estavam todas lá novamente, a Márcia, a Pri, a Kátia já na sala de parto (Delivery Room). Parecia um passe de mágica. Um novo exame de toque mostrou que eu estava com 8 cm de dilatação. Fizeram o cardiotoco (exame que controla as contrações e os batimentos cardíacos fetais) e estava tudo bem com a Maria Alice. Ela já estava tão baixa que era difícil até colocar o aparelho, tinha que ser bem em cima da pelve. Neste momento minhas contrações tinham espaçado muito e estava preocupada que ainda fosse demorar muito e que algo acontecesse a Maria Alice. Conversei com as meninas sobre esse meu medo. Cheguei a perguntar se não era melhor fazer uma cesária. A Kátia tentava me tranqüilizar, a Pri queria saber do que eu estava com medo e a Márcia foi super incisiva: " Não tem indicação nenhuma para cesária, ela esta muito bem". Ainda assim não quis que colocassem a ocitocina e combinamos de esperar o médico chegar. Neste momento o Gui chegou e eu falei que estava com medo e ele com toda sua paciência disse que estava tudo bem, que a Maria Alice estava bem. E, a partir daí, tudo começou a se desenrolar novamente. As contrações começaram a ficar mais intensas e praticamente sem intervalos. Eram uma atrás da outra. Deste momento tenho flashes do que aconteceu: me lembro do GO chegando, depois do pediatra, mas era como se estivesse sabendo de tudo e ao mesmo tempo alheia a tudo Quando o médico chegou já estava com quase 10cm de dilatação e de repente já estava no expulsivo. Neste momento senti o circulo de fogo, uma dor muito intensa, durante uma contração e foi nesse momento que senti a cabeça da Maria Alice sair, (embora tenha pensado que fosse o corpo inteiro). Então alguém disse " ela coroou", e eu pensei cara.... ela só coroou, ainda falta sair inteira. E lá se foram mais umas quatro contrações onde em cada uma a Pri me dizia para canalizar a força e eu fazia pois me lembrava dos exercícios de Yoga. Também me lembro do Gui dizendo, com a voz embargada pela emoção, " ela está nascendo" Quando menos esperava senti minha bebe saindo de mim e a primeira coisa que vi foram suas costinhas quando ela estava vindo em minha direção e lembro que falei " ela é tão pequenininha". Ela foi colocada sob meu peito e lá ficou por mais de 2 horas, até que nascesse a placenta e que a Márcia fizesse uns pontinhos pois tive uma laceração pequena. Ela fez coco, mamou nos dois peitos, ficamos nos namorando. Foi o momento mais maravilhoso da minha vida. Todas essas palavras não conseguem expressar o sentimento deste momento, dia 12/04/2011 às 0:22.











Ana Clara conhecendo Maria Alice

Jamais esquecerei todos os cuidados que tive neste momento. Para quem temia ser tocada como da primeira vez, no parto da Ana Clara, onde tudo correu bem, mas de uma forma bem mais distante, redescobri o toque solidário, amigo, encorajador, respeitoso, cúmplice, profissional, dedicado e delicado, de pessoas que amam o que fazem, que fazem o que amam com profissionalismo, e que com profissionalismo entendem e sentem o que há para além do nascimento de um filho.

Obrigada Kátia, Marcia, Pri, Eliana por estarem comigo.

Obrigada Dr. José Vicente e Dr. Douglas por permiterem que a ciência da medicina não se interpusesse entre mim e minha filha neste momento tão especial, mas que permitiram que a ciência da medicina estivesse ao meu lado, possibilitando que nós três, papai, mamãe, e Maria Alice, pudessemos continuar juntinhos.


Obrigada Ana Clara por me ensinar a ser mãe


Obrigada Gui por você existir e ser quem é.


E obrigada a Deus por me dar tudo isso.


Serei eternamente grata.


Finalmente obrigada MARIA ALICE, o anjo que escolheu nascer conosco, por sua presença.
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